Ureteroscópios flexíveis: uso único vs. reutilizáveis — eficiência, custo e performance em perspectiva
Os avanços tecnológicos nos ureteroscópios consolidaram a ureteroscopia como uma das principais modalidades para o tratamento das patologias do trato urinário superior, especialmente da litíase. Sua abordagem minimamente invasiva a posiciona como uma alternativa eficaz à litotripsia extracorpórea por ondas de choque e à nefrolitotomia percutânea.
Com a ampliação do uso, cresce também a necessidade de uma análise mais profunda sobre custo, eficiência e desempenho — especialmente na escolha entre ureteroscópios reutilizáveis e de uso único.
Eficiência operatória e previsibilidade
A introdução dos ureteroscópios digitais trouxe ganhos relevantes em qualidade de imagem e desempenho, com redução do tempo cirúrgico em até 20%. No caso dos dispositivos de uso único, esse benefício tende a ser mais consistente, uma vez que o equipamento é novo em todos os procedimentos.
A ausência de desgaste, danos acumulados ou perda de deflexão, frequentemente associados ao reprocessamento, contribui para maior previsibilidade e controle por parte do cirurgião. Além disso, o fato de o dispositivo já vir pronto para uso otimiza o fluxo da sala cirúrgica.
Reprocessamento: custo, complexidade e risco operacional
Nos ureteroscópios reutilizáveis, o custo vai muito além da aquisição. O custo total de propriedade deve considerar três pilares principais:
- Compra do equipamento
- Custos de reparo ao longo da vida útil
- Custos de esterilização/reprocessamento
Esse último envolve uma cadeia complexa, que inclui mão de obra especializada, insumos, equipamentos, testes de integridade e vazamento, materiais de limpeza e embalagem.
Além do impacto financeiro, cada etapa do reprocessamento representa um potencial risco operacional. Falhas nesse processo podem comprometer tanto a durabilidade do equipamento quanto sua performance clínica.
Por isso, o investimento em treinamento é essencial.
Uso único: simplificação e previsibilidade de custos
Por outro lado, os ureteroscópios de uso único eliminam completamente a necessidade de reprocessamento. Isso reduz significativamente a complexidade operacional e traz maior previsibilidade de custos por procedimento.
Nesse modelo, após o uso, o dispositivo é descartado e direcionado para processos de reciclagem, o que também envolve custos relacionados à logística e mão de obra embora, em geral, menos complexos do que o reprocessamento completo de um equipamento reutilizável.
Curva de aprendizado e fator humano
Os dispositivos descartáveis favorecem uma curva de aprendizado mais rápida, permitindo ao cirurgião explorar plenamente o equipamento sem preocupação com desgaste ou custos de manutenção.
Já nos reutilizáveis, a experiência do cirurgião impacta diretamente na longevidade do endoscópio. Um manuseio adequado pode reduzir significativamente danos e custos de reparo ao longo do tempo.
Desfechos clínicos e qualidade
As evidências indicam que não há diferenças significativas nas taxas de sucesso e complicações entre dispositivos reutilizáveis e descartáveis, nem redução comprovada de infecção com o uso de dispositivos de uso único.
Entretanto, a qualidade do equipamento permanece determinante. Dispositivos com desempenho inferior podem impactar negativamente os resultados, aumentando a taxa de fragmentos residuais, reintervenções e complicações.
Portanto, a escolha entre ureteroscópios flexíveis reutilizáveis e de uso único deve ser baseada no custo total de propriedade, e não apenas no investimento inicial.
Ao considerar compra, reparo, esterilização, eficiência operacional e qualidade do equipamento, torna-se possível tomar decisões mais estratégicas — alinhando sustentabilidade financeira, segurança e melhores desfechos clínicos.